sexta-feira, 22 de abril de 2016

Bela, despojada, recatada, "pra frente", do lar ou profissional assalariada... seja o que você quiser!



Uma grande polêmica se formou nos últimos dias devido uma matéria divulgada em dos maiores veículos do Brasil, a revista Veja (ou melhor, no site da revista).

O furdunço todo é porque alguém teve a brilhante ideia de escrever sobre a esposa do atual vice-presidente da República, o também polêmico, Michel Temer. Você deve estar se perguntando "mas tá, qual o problema nisso?", sim já vou dizer. O problema é que o texto ressalta (muitooo) a personalidade e postura discreta, e restrita às atividades familiares, sendo sabiamente (isso é uma ironia, ok) descrita como, bela, recatada e do lar.

Sim, senhores e senhoras, isso causou um grande furor em muitos leitores, especialmente na parcela feminina, que se sentiu ofendida e oprimida pelo teor da matéria, que claramente, enaltece esse perfil de mulher.

Ah, Amélia!
Eu faço parte de uma geração que foi criada e educada (família e escola) sabendo do valor da família, mas também do valor de ser independente, ter uma profissão, e ter a liberdade de quebrar os padrões da sociedade. Muitas mulheres que eu vi se manifestando contra essa matéria da Veja também têm essa visão, mas parecem levá-la ao limite, achando o fim da picada que a "mulher Amélia", exaltada antigamente, ainda seja vista como modelo nos dias de hoje.

Vi várias críticas, piadas e sarcasmos em relação ao texto - acho até que a #BelaRecatadaeDoLar alcançou os primeiros lugares dos Top Trends -, mas minha intenção neste meu modesto (e pacifico) texto, não é esbravejar, mas sim levantar a bandeira da liberdade. Sim, liberdade de ser o que quiser, seja lá em que século estejamos, o que a sociedade espera ou deixa de esperar de cada um, seja homem ou seja mulher.

Eu realmente fico sem paciência ( pra não dizer p* da vida) quando vejo textos que rotulam como devemos ser, nosso comportamento, nossas relações afetivas, profissionais e tudo mais. Nenhuma mulher tem a obrigação de ser dona de casa a vida inteira, mas se optar por isso, tudo bem. Nenhum homem tem que ser o machão e único provedor, nenhuma garota tem que casar virgem se não quiser, obviamente, homens podem sim fazer tarefas domésticas e ajudar na criação dos filhos, ou seja, cada um tem a liberdade para fazer suas escolhas, independente se isso faz parte dos modelos comportamentais de 20, 30, 50 anos atrás ou dos estilos atuais.

Acredito que a nossa sociedade (não só a brasileira) ainda tem um olhar descriminatório sobre as mulheres, e por isso, são válidos os movimentos feministas, assim, me considero uma feminista. Mas, confesso que fico com preguiça de algumas extremistas que vemos aí, viu.

Olha euzinha ae dando uma de aventureira :D
Hello! Não é porque você é feminista, pinta a cara, faz faixa, não depila, que toda mulher tem que fazer o mesmo. Não é porque você prioriza sua profissão e não quer constituir família que todo mundo tem que pensar assim, não é porque você é porra loca que todas têm que ser.

Seja você rica, pobre, gorda, magra, solteira, casada, girl, boy, seja livre! Do jeito que der na telha mesmo. Bela, despojada, recatada, "pra frente", do lar ou profissional assalariada... seja o que você quiser!